Contratos negociados a dólar abaixo de R$ 3,5 podem ter margem negativa para soja 19/20

Entre maio e junho/19, os contratos FOB Paranaguá da soja subiram 5,7%, em média, devido aos impactos do clima sobre a safra norte-americana. Além disso, as cotações dos insumos estão em alta, o que pode elevar o custo de produção da oleaginosa na temporada 2019/20 frente à anterior.

Nesse cenário, a equipe de Custos Agrícolas do Cepea calculou o Retorno por Real Investido sobre o Custo Total (RRCT) em relação à soja 2019/20, considerando os contratos FOB Paranaguá negociados em junho/19, no valor de US$ 357,01/tonelada, com entrega em março e maio de 2020. Para compor o Custo Total (CT), desconsiderando-se o valor da terra, foram avaliados os coeficientes técnicos, obtidos em painéis de custos de produção, e os preços dos insumos entre janeiro e junho deste ano.

Já para compor o valor a retirar nas praças analisadas, foram consideradas a média do dólar no primeiro semestre (R$ 3,84) e do frete em junho/19. De modo geral, nas praças acompanhadas pelo Projeto Campo Futuro, parceria da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) com o Cepea citadas abaixo, as margens sobre o CT foram positivas. Isso deixa o produtor mais seguro para negociar,

mesmo com possíveis variações na produtividade e no câmbio, até o prazo de entrega. Em Cascavel (PR), o CT médio estimado foi de R$ 3.732,06/ha. Tendo em vista uma produtividade média de 58 sc/ha nas últimas cinco safras, a Receita Bruta (RB) baseada nos contratos a termo FOB Paranaguá seria de R$ 4.118,69/ha, garantindo, assim, RRCT de 10,36%. Vale ressaltar que, caso o dólar chegue a R$ 3,50 ou o rendimento das lavouras fique 5,5 sc/ha abaixo do esperado, a atividade pode não remunerar o sojicultor.

Na praça de Dourados (MS), por sua vez, a RB gerada sobre a produtividade média das últimas cinco safras, de 52 sc/ha, foi de R$ 3.557,08/ha. Assim, considerando-se o CT de R$ 2.981,96/ha no primeiro semestre, a rentabilidade da oleaginosa seria de 19,29%. Com isso, para quitar os custos, o produtor teria que comercializar a produção a R$ 57,35/ sc. Porém, caso a região tenha produtividade de 43,5 sc/ha, o RRCT passaria a ser negativo, sendo necessário negociar a saca a R$ 68,55 para arcar com os custos de produção.

Já em Sorriso (MT), com o CT médio de R$ 3.209,10/ha e produtividade média de 57 sc/ha, a RB seria de R$ 3.567,44/ha, gerando RRCT de 11,2%. Nesse cenário, uma queda de 6 sc/ha na produtividade ou câmbio de R$ 3,55/dólar faria com que a atividade não gerasse lucros ao produtor mato-grossense.

Na praça goiana de Rio Verde, com RB de R$ 3.682,72/ha, o RRCT foi de 12,3% sobre o CT, de R$ 3.280,15/ha, considerando-se produtividade média das últimas cinco safras de 53 sc/ha. Diante disso, o produtor deve se preocupar caso a moeda norte-americana chegue a R$ 3,45 ou a produtividade caia para 47 sc/ha, fazendo com que a atividade seja apenas zerada, sem gerar lucros ao sojicultor.
DATA: 06.08.19

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