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13/07/2011 - Phytophtora spp.: o inimigo sempre presente

* Maryara Prando

Uma das grandes preocupações de quem cultiva batata é a Requeima, doença causada pelo Oomiceto Phytophthora infestans, que causa grandes prejuízos de produtividade ao negócio, fazendo, inclusive, com que muitos produtores abandonem a atividade.

Para se ter uma ideia, o gênero Phytophthora, que compõe o grupo dos oomicetos, tem causado grandes problemas há mais de um século, sendo relatado como fungo pela primeira vez na Bélgica em 1845. A espécie Phytophthora infestans na cultura da batata espalhou-se para diversos países, sendo responsável pela “Grande Fome” na Irlanda, dizimando áreas produtoras de batata, principal alimento da população e deixando cerca de três milhões de mortos e emigrantes. O gênero Phytophthora causa uma grande variedade de doenças, atacando um amplo número de culturas. É agente causal de tombamento, podridão de raízes, podridão de tubérculos, necrose de parte aérea e frutos. É conhecida principalmente pela necrose em folhas e pecíolos, chamada de Requeima.

No Brasil, existem mais de 20 espécies fitopatogênicas de Phytophthora, que atacam diversas culturas, tanto anuais quanto perenes, como cacau, abacaxi, abacate, batata, tomate, seringueira, mamão, cebola, morango, maçã, soja, fumo etc. Porém, é na cultura da batata e do tomate que ocorrem os maiores danos econômicos causados pela Requeima (Phytophthora infestans). As perdas de produção nessas culturas podem chegar a mais de 70%, em alguns casos ocorrendo perda da lavoura, sendo que mais de 20% dos custos de produção podem ser dispensados para esta doença.

A Requeima é muito dependente de condições climáticas para sua ocorrência, em especial baixas temperaturas e elevada umidade do ar, com formação de neblina e intensa produção de orvalho, que favorecem o patógeno. Nas condições brasileiras, a doença pode ocorrer em qualquer época do ano devido aos esporos no ar e à sobrevivência em restos de cultura e hospedeiros ainda não identificados, diferentemente do que ocorre em países do hemisfério Norte, onde o inverno com neve reduz o inóculo. Temperaturas frias (12oC) permitem maior produção de zoósporos, intensificando a quantidade de inóculo e aumentando o número de lesões nas folhas, se alastrando por toda a planta. Sendo também disseminado pelo vento, chuva e insetos, contaminando maior número de plantas.

As lesões causadas nas folhas são caracterizadas por sua irregularidade e coloração de verde-claro a escuro. Aumentam rapidamente, tornando-se de coloração escura, necrosando os tecidos e matando com rapidez as folhas. É possível observar um halo encharcado que separa o tecido sadio da lesão, caracterizando sintoma de queima. As lesões podem se juntar, intensificando a degradação dos tecidos, atingindo o pecíolo e o caule, o que causa a morte de plantas. Na batata pode afetar os tubérculos em alguns casos, causando uma podridão dura e escura. Nos frutos do tomate causa os mesmos sintomas, com a superfície da lesão irregular.

Diversas medidas devem ser utilizadas para o controle desta doença: escolha de áreas com temperaturas mais elevadas e menores umidades, evitar áreas de baixada, onde há formação de névoas, evitar o plantio em épocas favoráveis à doença, uso de mudas sadias e cultivares resistentes. Porém, as cultivares resistentes não se mantém nessa condição por muitas safras, pois esse oomiceto possui uma intensa capacidade de adaptação, quebrando resistências genéticas rapidamente e formando novas raças do patógeno. Após o sequenciamento genético de Phytophthora infestans foi visto que ele possui o maior código genético dentre os oomicetos do gênero até então sequenciados, demonstrando sua grande adaptabilidade e quebra das resistências das cultivares.

A partir das medidas de controle anteriormente citadas, é possível se obter uma redução da doença, porém o melhor método de controle da Requeima é o químico, com a aplicação regular de fungicidas, que evitam a infecção do patógeno e controlam lesões estabelecidas. Recomenda-se o uso de produtos de contato, que fazem a proteção da cultura, evitando que o patógeno infecte a planta, e de produtos sistêmicos, que agem no interior dos tecidos do hospedeiro, impedindo o desenvolvimento da doença e disseminação para outros órgãos e plantas.

Os fungicidas de contato devem ser aplicados preventivamente, quando ocorrem condições favoráveis ao patógeno ou aos primeiros sintomas da doença. Eles atuam como uma barreira, impedindo a infecção pelo patógeno. Quando já ocorreu a infecção ou as condições são muito favoráveis à doença, deve-se utilizar também um fungicida sistêmico, que age no interior dos tecidos das plantas, inibindo o crescimento do patógeno e reduzindo seus danos. Vale ressaltar que, mesmo com a eficiência do controle químico, esse deve ser utilizado criteriosamente, obedecendo aos intervalos de aplicação e as doses recomendadas.

Existe um grande portfólio de produtos para a Requeima e é importante lembrar que não é recomendado o uso de um único fungicida para o controle de nenhuma doença. É importante rotacionar o modo de ação dos produtos, evitando a seleção de organismos resistentes.

Sempre adotando medidas de escape, com um manejo correto com fungicidas e orientação de Engenheiro Agrônomo, é possível manter esse inimigo longe das lavouras.

Autor: * Maryara Prando é pesquisadora da Estação Experimental da IHARA.

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