Originária do continente asiático, provavelmente da região da Índia, a espécie Rottboellia exaltata, o capim-camalote já se encontra disseminada em mais de 50 países e 18 culturas, entre as quais se destacam a cana-de-açúcar, o arroz, o milho, o feijão e a soja.
Sua alta adaptabilidade ecológica é uma das características que permite esse elevado nível de disseminação. Além disso, uma única planta de capim-camalote pode emitir até 100 perfilhos e produzir mais de 16.000 sementes, estimando-se uma produção de até 6.500 sementes/m2. A viabilidade dessas sementes no solo pode chegar há quatro anos. Devido ao seu alto potencial de disseminação, é conhecida nos países tropicais da América como planta “caminadora”.
O capim-camalote é uma planta de ciclo C4, portanto, eficiente fotossinteticamente, pertencente à família Poaceae (gramíneas). Sua agressividade torna-a temida entre os agricultores do mundo todo.
Quando presente em áreas agrícolas, o capim-camalote interfere diretamente pela competição por água, luz, nutrientes e espaço, e de forma indireta dificulta as práticas culturais de manejo.
Estima-se que no Brasil a espécie tenha entrado no final da década de 50, infestando sementes de arroz provenientes da Colômbia, devido à difícil separação entre as sementes dessas espécies. Inicialmente a infestação se deu na região Norte, mas hoje o capim-camalote pode ser encontrado com freqüência nos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e na região Centro-Oeste.
Nas regiões canavieiras, o capim-camalote se destaca por causar perdas significativas de produtividade. Estudos mostram reduções na produtividade nos canaviais de até 80% para áreas de cana soca, e de até 100% em cana planta. A interferência causada pela presença das plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar pode reduzir a quantidade de colmos colhidos ou mesmo o número de cortes economicamente viáveis.
Outra característica peculiar desta planta é a presença de cerdas nas bainhas das folhas. Elas são inicialmente “moles”, ficando posteriormente rígidas como micro-agulhas. Estas cerdas ferem os trabalhadores quando tocadas, o que provoca intensa dor, sendo as bainhas, principalmente as da parte inferior, a parte mais perigosa da planta. Por esse motivo, alguns trabalhadores se recusam a entrar em campos infestados pela espécie, tanto no momento das capinas, como na colheita manual.
Considerando as distintas regiões canavieiras do mundo, estima-se que existam cerca de 1.000 espécies de plantas daninhas habitando o agro ecossistema da cana-de-açúcar, sendo que o capim-camalote (R. exaltata) está classificado entre as 12 piores plantas daninhas da cultura. Outra classificação, agora de todas as espécies daninhas, independente da cultura, coloca o capim-camalote entre as 18 piores plantas daninhas do mundo.
O manejo de R. exaltata pode ser problemático, isso porque, não existem muitos produtos recomendados para seu controle, e grande parte dos herbicidas que controlam esta espécie podem causar toxicidade à cultura da cana-de-açúcar.
Além disso, por germinar durante todo o ano (pico máximo em setembro), se fazem necessárias várias aplicações para seu controle.
Como formas de manejo, são efetuadas aplicações em pré-emergência, geralmente até cinco dias após o plantio, ou em pós-emergência, antes que as plântulas ultrapassem cinco folhas. Entre as opções presentes no mercado, para aplicação em pré-emergência, se destaca o flumioxazin, pois em trabalhos conduzidos apresentou eficiência superior a 95%.
Destaca-se atualmente a necessidade de atenção redobrada com o aumento da incidência desta planta daninha em regiões agrícolas, assim como também a busca de alternativas seguras e do contínuo desenvolvimento de tecnologias que nos permitam maior eficiência no manejo da espécie, de modo que o capim-camalote não venha a se tornar um problema ainda maior do que é.
* Fernando Luiz Buss Tupich é Pesquisador da IHARA
* Jethro Barros Osipe é Engenheiro Agrônomo pós-graduando pela Universidade Estadual de Maringá (PR)
Fonte: * Fernando Luiz Buss Tupich e Jethro Barros Osipe
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